Um caso registrado como violência doméstica em Cuiabá passou por novo desdobramento após a própria adolescente envolvida solicitar a correção de parte de seu depoimento prestado à polícia. A retratação ocorreu após a jovem reconhecer que, em meio a um momento de forte abalo emocional, acabou relatando fatos que não condizem com a realidade.
De acordo com as informações apuradas, o boletim de ocorrência foi registrado no início de dezembro do ano passado e relatava episódios de agressão física, ameaças e violência psicológica no ambiente familiar. Na ocasião, a adolescente, acompanhada por responsáveis, também relatou um suposto caso de assédio.
No entanto, em manifestação posterior, feita de forma voluntária e por escrito, a jovem esclareceu que não houve qualquer tipo de abuso ou assédio sexual contra ela. Segundo o relato, a declaração inicial teria sido motivada por raiva, desespero e medo, após presenciar agressões sofridas por sua mãe dentro de casa.
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Partes da carta entregues ao poder judiciário

O objetivo da adolescente, conforme o esclarecimento, era garantir que a polícia atuasse de forma imediata para afastar o agressor do convívio familiar, diante da gravidade da situação presenciada naquele momento.
Apesar da correção quanto ao suposto assédio, a jovem reafirmou que as agressões físicas e ameaças contra a genitora de fato ocorreram, sendo confirmadas por outros familiares. Por isso, o pedido apresentado à autoridade policial é para que as investigações prossigam normalmente em relação aos crimes de lesão corporal e ameaça, sem prejuízo à responsabilização pelos fatos efetivamente comprovados.
Especialistas ressaltam que o princípio da chamada “verdade real” orienta a investigação policial e permite que versões sejam corrigidas sempre que novos elementos surgirem. A legislação brasileira garante ao ofendido — ou a seus representantes legais — o direito de solicitar novas diligências e prestar novo depoimento, sempre que necessário para o correto esclarecimento dos fatos.
O caso reforça a complexidade de situações envolvendo violência doméstica, especialmente quando há adolescentes no ambiente familiar, e evidencia a importância de uma apuração cuidadosa, técnica e responsável, que busque a verdade sem causar danos irreparáveis a pessoas inocentes.
As autoridades agora analisam o pedido de nova oitiva para registrar oficialmente a retratação, garantindo que o processo siga com base em informações corretas, preservando direitos e assegurando justiça às vítimas reais da violência.