Famílias clamam por justiça e afirmam inocência de presos em caso que vitimou policial penal em Várzea Grande

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Famílias clamam por justiça e afirmam inocência de presos em caso que vitimou policial penal em Várzea Grande

Esposas e familiares dizem viver dor dupla: a perda de vidas e o peso do julgamento antecipado; defesa sustenta que maridos não participaram do crime e pede análise rigorosa das provas

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Familiares de homens presos no âmbito da Operação Contragolpe, que investiga a morte do policial penal José Arlindo da Cunha, de 55 anos, em Várzea Grande, vieram a público para afirmar a inocência de dois dos detidos e pedir que a Justiça analise todas as provas antes de qualquer condenação. Na primeira fase da operação, três suspeitos já haviam sido presos. Já na segunda fase, a Polícia Civil efetuou novas prisões, ampliando o número de investigados no caso.

O crime ocorreu no dia 22 de novembro de 2025, no bairro Marajoara, em Várzea Grande. Na ocasião, conforme as investigações, várias pessoas foram até a residência onde o policial penal estava, o chamaram no portão e, em seguida, ele foi atingido por disparos de arma de fogo e espancado com extrema violência, com socos, chutes e golpes na região da cabeça, inclusive com o uso de um capacete. José Arlindo morreu no local.

Valdeir Rodrigues Bandeira Júnior

Durante a confusão, uma das pessoas envolvidas na agressão acabou sendo atingida por disparos efetuados pela própria vítima, em legítima defesa. O homem foi identificado como Rivaldo Caetano da Silva. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Pronto-Socorro Municipal, mas não resistiu e morreu.

As investigações apontam, segundo o delegado responsável, que José Arlindo não teria sido morto pelo fato de ser policial penal. Ainda assim, o caso causou forte comoção social e desencadeou uma série de prisões e diligências.

Lukas Alves Lima

Prisões em fases diferentes

Conforme informações repassadas pelas famílias, Valdeir Rodrigues Bandeira Júnior, de 30 anos, foi preso em dezembro, ainda no desdobramento das investigações. Já Lukas Alves Lima, de 28 anos, foi preso na quinta-feira (29), durante a segunda fase da Operação Contragolpe, deflagrada pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa.

Uso de tornozeleira e contestação da prisão

A esposa de Valdeir, Esther da Silva, de 25 anos, afirmou que o marido faz uso de tornozeleira eletrônica e que, segundo ela, teria sido preso após ir ao local apenas para ver o que havia acontecido, movido por curiosidade, depois de ouvir comentários de moradores sobre um tiroteio na região.

Ela sustenta, no entanto, que a rota registrada pela tornozeleira eletrônica comprova que antes e no exato momento do crime o marido não estava sequer próximo do local dos fatos. “A polícia precisa analisar todo o percurso da tornozeleira. Vai ficar claro que ele não estava lá na hora do crime”, afirmou.

Esther disse ainda que o companheiro conhecia Rivaldo Caetano da Silva — a segunda vítima — por ele ser borracheiro do bairro, o que, segundo ela, explicaria o interesse em saber o que havia ocorrido, mas não uma participação no crime.

Esposas afirmam inocência e dizem ter provas

Além do monitoramento eletrônico, a esposa de Wanderson afirma possuir fotos e comprovantes de pagamento em um espetinho, que indicariam onde o marido estava no momento em que o policial penal foi morto.

Já a esposa de Lukas Alves Lima, Deiziany Thainara Rodrigues da Silva, de 27 anos, afirma que o marido só tomou conhecimento da morte do policial penal por meio da imprensa. Ela diz possuir documentos e registros do rastreador do veículo, indicando os trajetos percorridos por ele na noite do crime. “Ele está respondendo por algo que não cometeu. Nossa família está sofrendo muito com esse julgamento antecipado”, desabafou.

Famílias pedem cautela e justiça

As duas mulheres conversaram com o repórter Serginho Lapada na noite deste domingo (1º) e afirmaram confiar na Justiça, mas pedem que todas as provas sejam analisadas com responsabilidade. “O pior é o julgamento antecipado por uma culpa que eles não têm. Eles estavam trabalhando, cuidando das famílias e dos filhos”, relataram.

A mãe de Lukas também se manifestou, pedindo que a Justiça identifique e prenda os verdadeiros culpados. “Que a Justiça prenda quem realmente cometeu o crime, mas que não coloque inocentes atrás das grades”, afirmou.

Enquanto as investigações seguem em andamento, as famílias vivem a angústia da espera e reforçam o apelo para que a apuração seja conduzida com rigor técnico e equilíbrio, garantindo que a verdade prevaleça e que a Justiça seja feita — tanto em respeito à memória do policial penal José Arlindo da Cunha quanto aos direitos de quem afirma não ter participado do crime.