O que era amizade terminou em sangue, traição e uma frieza que revolta. João Fernando Couto da Silva, de 24 anos, é acusado de assassinar a golpes de faca o próprio amigo, Eduardo Pereira Bispo, de 29 anos, e, como se o crime não bastasse, passar a viver como se fosse a vítima. Roupas, cartões bancários, documentos e até o carro de Eduardo foram usados pelo suspeito após o homicídio — um comportamento que escancarou, segundo a polícia, a brutalidade e o desprezo pela vida humana.
O crime aconteceu na madrugada de domingo (1º), em Alto Garças, a 357 quilômetros de Cuiabá. Poucas horas depois, João Fernando já circulava usando os pertences do amigo morto. No dia seguinte, segunda-feira (2), ele foi localizado e preso em Mineiros (GO), encerrando uma fuga marcada por cinismo e ousadia.
A principal linha de investigação aponta para latrocínio (roubo seguido de morte). De acordo com a delegada Michele Castro, responsável pelo caso, a motivação está diretamente ligada à subtração de bens. “Ele levou o carro, usou os cartões da vítima para pagar despesas pessoais e chegou a se passar por ela, já que estava com os documentos. Por isso, a principal linha é o latrocínio”, afirmou a delegada.
O que mais causa indignação é o nível de frieza. Mesmo após o assassinato, o suspeito passou a vestir roupas de Eduardo. No momento da prisão, em Goiás, João Fernando usava uma bermuda marrom identificada como sendo da vítima. A peça foi imediatamente apreendida como prova. “Assim que confirmamos que a bermuda pertencia à vítima, determinei a apreensão, por se tratar de evidência importante”, explicou Michele Castro.
Durante o interrogatório, o acusado preferiu o silêncio. Já as investigações seguem para o completo esclarecimento do crime e a conclusão do inquérito. Enquanto isso, o caso deixa uma pergunta que ecoa nas ruas de Alto Garças: até onde vai a crueldade humana quando o interesse fala mais alto que a vida?