Levantamento revela cenário preocupante: muitas vítimas não se reconhecem inicialmente como mulheres que sofreram violência, apesar de relatarem episódios de ameaça, humilhação, agressão e intimidação
Um dado preocupante revela a dimensão da violência contra a mulher em Mato Grosso. Cerca de 33% das mulheres do estado vivenciaram alguma situação de violência doméstica ou familiar nos 12 meses analisados pela 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher.
O levantamento, produzido pelo Instituto de Pesquisa DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, chama atenção principalmente para uma realidade que pode permanecer escondida dentro dos próprios lares.
Isso porque 29% das entrevistadas não afirmaram espontaneamente que haviam sofrido violência, mas, ao responderem perguntas específicas sobre situações vivenciadas, relataram episódios enquadrados pelo levantamento como violência doméstica ou familiar.
A estimativa representa aproximadamente 421 mil mulheres em Mato Grosso.
Outros 4% reconheceram espontaneamente terem sido vítimas e também relataram situações de violência durante as perguntas detalhadas.
GRITOS, HUMILHAÇÕES E AMEAÇAS FAZEM PARTE DOS RELATOS
A violência nem sempre apareceu na forma de agressão física.
Entre as situações relatadas nos 12 meses anteriores à pesquisa, 21% das mulheres disseram que alguém de sua relação íntima ou familiar fez algo para assustá-las, incluindo comportamentos como gritar ou quebrar objetos.
Outras 15% relataram insultos, enquanto o mesmo percentual afirmou ter passado por humilhações diante de outras pessoas.
As ameaças também aparecem no levantamento: 11% disseram ter sido ameaçadas ou que alguém próximo delas foi alvo de ameaça.
Já 7% relataram agressões físicas, incluindo tapas, empurrões ou objetos arremessados. Outros 7% disseram ter enfrentado ameaças envolvendo faca, tesoura ou outro objeto doméstico.
VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA LIDERA RELATOS
Quando consideradas as experiências ocorridas ao longo da vida, 33% das mato-grossenses declararam já ter sofrido violência doméstica ou familiar praticada por um homem.
Entre aquelas que relataram violência, a psicológica aparece em 88% dos casos, seguida pela violência física, mencionada por 84%.
A violência moral foi apontada por 70%, a patrimonial por 40% e a sexual por 25%.
CONSEQUÊNCIAS VÃO ALÉM DO MOMENTO DA AGRESSÃO
Os episódios também provocam reflexos em diferentes áreas da vida das vítimas.
Segundo a pesquisa, 72% afirmaram que a violência interferiu na rotina diária, enquanto 68% perceberam consequências no relacionamento e convívio com outras pessoas.
Os impactos chegaram ainda à educação e à renda: 45% relataram prejuízo nos estudos e 43% disseram que a situação afetou a vida profissional ou o trabalho remunerado.
PESQUISA OUVIU MULHERES EM MATO GROSSO
Os dados foram coletados entre 16 de maio e 8 de julho de 2025, por meio de entrevistas telefônicas com mulheres a partir dos 16 anos.
Em Mato Grosso, foram consideradas 799 entrevistas. O levantamento informa margem de erro média de 2,22 pontos percentuais para estimativas da amostra completa e nível de confiança de 95%.
Os números evidenciam não apenas a presença da violência dentro das relações familiares e afetivas, mas também um problema silencioso: há mulheres que relatam comportamentos violentos quando questionadas diretamente, embora inicialmente não se identifiquem como vítimas de violência.