Nova tabela entra em vigor no dia 1º e prevê reajuste de R$ 3,98 no botijão de 13 kg para as revendas; impacto final no bolso das famílias pode ser maior
O consumidor mato-grossense poderá sentir um novo peso no orçamento doméstico a partir de setembro. O botijão de gás de cozinha pode ficar até R$ 10 mais caro em alguns estabelecimentos de Mato Grosso após a entrada em vigor de um reajuste destinado às empresas revendedoras de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP).
A mudança está prevista para começar em 1º de setembro de 2026. Pela nova tabela comunicada ao setor, o acréscimo será de R$ 0,306 por quilo, o que representa R$ 3,98 a mais no tradicional botijão de 13 quilos (P13).
Esse valor, porém, não significa que todos os consumidores encontrarão exatamente R$ 3,98 de aumento nas revendas.
NO BOLSO, A CONTA PODE SER MAIOR
A expectativa de representantes do setor é de que o impacto final possa chegar à casa dos R$ 10 por botijão, dependendo dos custos enfrentados por cada estabelecimento.
Isso ocorre porque, além do reajuste recebido pelas revendas, entram na conta despesas como transporte, funcionários, aluguel, armazenamento, manutenção, impostos e entrega ao consumidor.
Na prática, cada estabelecimento poderá adotar uma estratégia diferente. Algumas revendas podem aplicar somente o reajuste recebido, enquanto outras poderão absorver uma parcela ou fazer uma recomposição maior dos custos.
Também não significa que os preços mudarão simultaneamente em todo Mato Grosso. Revendedores que ainda tiverem estoque comprado pelos valores antigos poderão, por exemplo, manter o preço atual por mais algum tempo.
A projeção de até R$ 10, portanto, não é um reajuste oficial fixado ao consumidor, mas uma estimativa de quanto a mudança poderá representar na ponta final da cadeia.
POR QUE O GÁS VAI SUBIR?
Entre os fatores apontados para a correção estão o dissídio salarial dos trabalhadores e a atualização das despesas relacionadas à operação do setor.
Até o botijão chegar à casa do consumidor, existe uma cadeia que inclui aquisição do GLP, tributos, armazenamento, transporte, engarrafamento, manutenção dos recipientes, distribuição, salários, encargos trabalhistas e custos das próprias revendas.
Essas despesas ajudam a explicar por que o preço pode variar consideravelmente de uma cidade para outra e até mesmo entre estabelecimentos de um mesmo município.
AUMENTO PESA MAIS PARA QUEM TEM MENOS
Por se tratar de um item indispensável para o preparo das refeições, qualquer aumento no gás de cozinha tem impacto direto no orçamento das famílias.
A situação é especialmente delicada para quem já compromete grande parte da renda mensal com despesas essenciais, como alimentação, energia, água, transporte e medicamentos.
No interior de Mato Grosso e em regiões mais afastadas dos centros de distribuição, o cenário pode ser ainda mais pesado. A distância e os custos logísticos normalmente fazem com que o gás já chegue ao consumidor por valores superiores aos encontrados nos grandes centros.
PREÇOS PODEM VARIAR PELO ESTADO
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realiza o acompanhamento dos preços praticados na venda do botijão P13 em diferentes municípios brasileiros.
Somente após a nova tabela começar a valer será possível medir quanto do reajuste efetivamente chegará ao consumidor mato-grossense.
Até agora, o aumento informado de forma objetiva às revendas é de R$ 3,98 para o botijão de 13 kg. Já a possibilidade de o consumidor desembolsar até R$ 10 a mais dependerá das condições comerciais e operacionais de cada revenda.