O professor Eric Bruno do Espírito Santo Pereira, de 33 anos, denunciou ter sido vítima de racismo e agressão física por parte de um vizinho, na última quarta-feira (8), no bairro Jardim Universitário, em Cuiabá. Apesar do relato de ofensas de cunho racial, o caso foi registrado inicialmente pela Polícia Civil como lesão corporal leve.
Segundo o professor, ao retornar do trabalho, foi abordado pelo suspeito, que passou a insultá-lo com palavras como “macaco” e “veado”. Em seguida, a discussão evoluiu para agressão física, e o homem o atingiu na cabeça com um pedaço de madeira.
Eric afirma que os ataques não são recentes. De acordo com ele, as ofensas acontecem há cerca de 10 anos, desde que passou a morar no bairro, e o mesmo vizinho também costuma hostilizar outros moradores da região.
“Essa situação é recorrente. Ele faz esses insultos há muitos anos, não apenas contra mim, mas também contra outros vizinhos”, relatou.
Após a agressão, o professor procurou uma delegacia para registrar a ocorrência. Embora afirme ter sido bem atendido, ele contesta a forma como o caso foi enquadrado.
Segundo Eric, ele informou que havia sido vítima de injúria racial, mas o boletim de ocorrência foi registrado apenas como lesão corporal leve.
“Eu expliquei que era injúria racial, mas disseram que não poderiam registrar como racismo por ser um crime grave. No fim, ficou apenas como agressão leve”, afirmou.
Ferido na cabeça, o professor recebeu atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Além das lesões físicas, ele diz se sentir desamparado pela forma como o caso foi tratado.
“Não é a primeira vez que isso acontece. Sempre tenho a sensação de não ser ouvido”, lamentou.
Inconformado com o registro da ocorrência, Eric informou que pretende procurar a Defensoria Pública para solicitar a retificação do boletim e buscar que o caso seja investigado também sob a perspectiva dos crimes relacionados às ofensas raciais.