Hercílio Junio Freitas Cordeiro, de 22 anos, foi alvo de mandado de prisão preventiva na manhã deste sábado (5). Segundo o delegado Christian Cabral, testemunhas começaram a desmarcar depoimentos e a principal testemunha do caso teria sofrido coação. Ao perceber a chegada da polícia em sua residência, jovem ainda teria tentado escapar.
O que até ontem era marcado pelas imagens de um jovem deixando duas vezes a delegacia pela porta da frente, nesta manhã terminou com policiais cercando uma residência em um condomínio de luxo de Cuiabá.

Hercílio Junio Freitas Cordeiro, de 22 anos, foi preso pela Polícia Civil na manhã deste sábado (5), menos de 24 horas depois de comparecer à Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), permanecer em silêncio e deixar novamente a unidade em liberdade.
A prisão é preventiva e foi determinada pela Justiça. A ordem foi cumprida por uma equipe da Deletran, sob coordenação do delegado Christian Cabral.
VIU A POLÍCIA PELA JANELA E TERIA TENTADO ESCAPAR

A prisão teve momentos de tensão.
Segundo informações repassadas pelo delegado Christian Cabral à equipe do SBT Comunidade, que acompanha o caso diretamente da Deletran, Hercílio estava em casa quando percebeu a chegada das equipes policiais.

Ele teria aberto uma janela, visualizado a movimentação dos investigadores e tentado fugir.
Mas a residência já estava cercada.
Mesmo diante do cerco policial, segundo as informações obtidas pela reportagem, o jovem ainda teria apresentado resistência à prisão antes de ser finalmente detido.
Após o cumprimento do mandado, Hercílio foi conduzido para a Deletran.
TESTEMUNHAS COMEÇARAM A DESMARCAR DEPOIMENTOS
Mas existe um ponto ainda mais grave por trás da decisão de pedir sua prisão.
Em entrevista à equipe do SBT Comunidade, o delegado Christian Cabral revelou que testemunhas que deveriam ser ouvidas na investigação começaram a desmarcar suas oitivas na delegacia.
A situação chamou a atenção dos investigadores.

Segundo o delegado, esse comportamento passou a representar preocupação para o andamento das investigações e reforçou os fundamentos apresentados no pedido de prisão preventiva.
PRINCIPAL TESTEMUNHA TERIA SIDO COAGIDA
A situação ficou ainda mais delicada envolvendo uma das testemunhas consideradas fundamentais para esclarecer o que aconteceu antes da morte de Paulo.
Segundo Christian Cabral, a companheira de Hercílio teria sofrido coação para não testemunhar no caso.
Ela é uma personagem importante na investigação porque estaria com Hercílio na casa noturna antes da sequência de acidentes.
A possível interferência sobre testemunhas tornou-se, segundo o delegado, mais um elemento relevante para a representação pela prisão.
Neste ponto, é importante destacar: a denúncia de coação integra a investigação e deverá ser apurada pela Polícia Civil.
ONTEM, SEGURANÇAS. HOJE, POLÍCIA NA PORTA
A prisão acontece poucas horas depois de uma cena que provocou enorme repercussão.
Na sexta-feira (4), Hercílio compareceu à Deletran acompanhado de advogado e homens que atuavam como seus seguranças.
Permaneceu em silêncio durante o interrogatório e saiu em liberdade porque naquele momento não estava em situação de flagrante e ainda não havia ordem judicial determinando sua prisão. Na saída, houve tumulto com profissionais da imprensa e um cinegrafista acabou ferido.
Era a segunda vez em menos de 24 horas que Hercílio comparecia à delegacia e deixava o local em liberdade.
A situação mudou neste sábado.
Desta vez havia um mandado judicial.
E os policiais foram buscá-lo dentro de casa.
BMW TERIA PASSADO A 177 KM/H
Outro elemento que torna o caso ainda mais grave surgiu com a análise dos registros de trânsito.
Segundo dados divulgados a partir de equipamento da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), a BMW foi registrada a 177 km/h às 0h45, pouco antes da colisão fatal. O limite naquele trecho da Avenida Isaac Póvoas era de 50 km/h.
A investigação aponta que Hercílio estava em uma casa noturna antes dos acidentes. Ele teria se envolvido em uma confusão, sido retirado do estabelecimento e posteriormente deixado o local conduzindo a BMW. A Polícia Civil também investiga eventual consumo de bebida alcoólica.
Além disso, segundo as informações da investigação, Hercílio não possui CNH.
PRIMEIRO ACIDENTE NÃO O TERIA FEITO PARAR
Na madrugada de domingo (30), Hercílio é apontado pela investigação como motorista da BMW envolvida em dois acidentes consecutivos na Avenida Isaac Póvoas.
Primeiro, outro motociclista foi atingido e ficou ferido.
Pouco depois ocorreu a segunda colisão.
Desta vez, a vítima foi Paulo Messias Simão Costa, de 23 anos.
Paulo foi atingido enquanto estava de motocicleta, foi arremessado e morreu no local.
Após a colisão, a BMW foi abandonada nas proximidades da Santa Casa e o motorista deixou o local a pé, segundo a investigação.

PAULO SAIU PARA TRABALHAR E NÃO VOLTOU
Paulo não estava passeando naquela madrugada.
O jovem trabalhava fazendo entregas de motocicleta e havia saído justamente para trabalhar quando foi atingido. A família o descreveu como trabalhador e relatou que ele mantinha uma rotina intensa para garantir sua renda.
Ele tinha apenas 23 anos.
De um lado, uma família sepultou um trabalhador.
Do outro, durante quase uma semana, investigadores correram atrás de imagens, testemunhas e elementos para reconstruir os minutos que antecederam a morte.
Na quinta-feira, Hercílio foi à delegacia e saiu.
Na sexta-feira, voltou, ficou em silêncio e saiu novamente pela porta da frente, acompanhado de seguranças.
Neste sábado, a história mudou.
A Justiça expediu o mandado.
A Deletran cercou a residência.
E, desta vez, Hercílio saiu de casa preso.
A equipe do SBT Comunidade acompanha o caso diretamente da Deletran e novas informações poderão surgir após os procedimentos relacionados ao cumprimento do mandado.
Repórter Serginho LapadaLapada Lapada — A notícia nua e crua!